quarta-feira, 18 de junho de 2008

Uruguai investigam fraude com carteiras de motoristas

Uma fraude envolvendo a emissão de carteiras de motoristas é investigada por autoridades gaúchas e uruguaias. O esquema foi descoberto pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul, que repassou o caso ao Ministério Público Estadual. Segundo apurações preliminares, a farsa consistia em validar no Brasil habilitações obtidas em Rio Branco, no Uruguai, sem a realização de exames práticos e teóricos. Para isso, um despachante de Jaguarão conseguia comprovantes de residência uruguaios falsificados, uma das condições exigidas para transferir a carteira para o Rio Grande do Sul. Ao examinar os papéis, funcionários do Detran perceberam que a maior parte das contas de água e luz tinha o mesmo código de barras.O órgão gaúcho afirma que não validou nenhuma das habilitações. Mais de 60 casos suspeitos foram encaminhados ao promotor Flávio Duarte, da Promotoria Especializada Criminal, em Porto Alegre. — A abrangência (do esquema) é em toda a fronteira sul do Estado, a fronteira com o Uruguai, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e Chuí — declarou o promotor. Com base nas informações coletadas pelas autoridades até agora, a reportagem conseguiu localizar, em Jaguarão, um despachante que intermediava a fraude. Ele admitiu que pagava propina a um funcionário da prefeitura uruguaia, em troca das carteiras frias. O custo do "serviço" para os brasileiros chegava a até R$ 1,5 mil. — Pago tudo pro cara, lá, 800, 900 "pila". Não é só eu, tem mais gente. Não é aqui, só lá, têm várias pessoas — disse o despachante conhecido por Nego, sem saber que estava sendo gravado. Uma das "clientes" do despachante é a comerciante Eva Regina da Silva. Ela contou à reportagem ter pago R$ 1 mil ao escritório de Nego. Exibindo o comprovante de endereço uruguaio falso, admitiu que nunca residiu no país vizinho. A mulher explicou as razões de ter optado pelo caminho da fraude: — Eu fiz três vezes o teste teórico e de direção aqui. E me rodaram por um simples sinal — contou. Sonhando em portar uma habilitação válida no Brasil, outro morador de Jaguarão pagou R$ 800 pelos serviços do escritório, mas não recebeu nem a carteira uruguaia. — Procurei pelo lado mais fácil. Acabei me ralando, né? — lamentou o desempregado. Na prefeitura de Rio Branco, o caso também está sob investigação. As autoridades acreditam que as carteiras compradas por brasileiros não são registradas no órgão, responsável pela emissão das habilitações na cidade. Para o vereador uruguaio Julio Wasen, os espelhos foram desviados por funcionários e depois preenchidos pela quadrilha. Dois servidores foram afastados das funções. — Imagina, em nove anos, a quantidade de carteiras que foram passadas para o Brasil falsificadas — diz Wasen, responsável por funções executivas na estrutura uruguaia.

Fonte: Portal do Trânsito

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