Da experiência do primeiro gole, ao consumo nos finais de semana, até o vício diário. Milhares de crianças e adolescentes estão envolvidos nessa realidade. A venda de bebidas alcoólicas a menores é proibida pelo artigo 231 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
No entanto, muitos estabelecimentos comerciais e organizações de festas ainda descumprem a legislação.
De acordo com especialistas, os aspectos culturais, a publicidade e a exploração de vários pontos de vendas próximos às escolas estimulam o jovem a beber cada vez mais cedo. Uma ação conjunta entre o Ministério Público Estadual, a Polícia Militar e Civil, as Secretarias de Educação Municipal e Estadual, a Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Criança (Derca), a Superintendência de Controle e Uso do Solo (Sucom), a Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), o Procon e conselhos de bairros pretende coibir em Salvador a comercialização de bebida alcoólica a menores.
O assunto foi discutido ontem durante o I º Seminário baiano sobre o combate a venda de bebida alcoólica para crianças e adolescentes, no salão Iemanjá do Centro de Convenções. As atividades de repressão à venda começaram ainda em 2006, quando os órgãos assinaram um acordo de cooperação para enfrentamento do problema. Uma das propostas do evento foi a de capacitar professores e coordenadores para atuarem com os alunos que se envolvem com a droga. "Queremos fazer essa parceria com os professores, dar alternativas e dizer para eles que estamos aqui, pois são os primeiros a sofrerem as conseqüências das crianças e adolescentes que bebem.
Os professores são os repositários das mágoas desses jovens", enfatiza o promotor de Justiça e da Infância e Juventude, Carlos Marthel. De acordo com o promotor é preciso mostrar aos professores o que fazer quando eles identificam a criança e o adolescente que bebem. "Infelizmente hoje vender bebida para menores é uma contravenção penal (punição mais branda), onde a pena pode ser de multa ou de alguns dias na prisão. Não queremos prender, mas impedir que eles vendam e que o vício comece na infância", afirma, citando que já foram realizadas operações repressivas à venda no Alto do Lobato, na Pituba, em Cajazeiras e Ribeira. Segundo Marthel, como o flagrante ao adolescente e à criança comprando bebidas ainda é muito difícil, "pois ocorre de maneira sutil", as entidades decidiram destacar as ações preventivas. "Os jovens se abrem a essa experiência antes dos 18 anos sem saber das conseqüências". O secretário de Educação do Estado (SEC), Adeum Sauer, observa que os educadores devem ter uma análise maior do mundo moderno - que é mundo das sensações, onde é cada vez maior o convite às experiências do sentir e o álcool faz parte desse contexto. "O perigo está no processo de naturalização do hábito de beber. A escola deve ser um meio de se ter esse cuidado", afirma, destacando que as instituições de ensino podem colaborar com a realização de palestras, seminários, atividades, como assistir vídeos e realizar trabalhos artísticos sobre o tema.
Fonte: Obid
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